Crítica: Como Treinar Seu Dragão

How To Train Your Dragon, EUA , 2010 – 98 min. Animação. Livre

Direção: Chris Sanders e Dean DeBlois

Com vozes de: Gerard Butler, Jay Baruchel, America Ferrera (no original)/Mauro Ramos, Gustavo Pereira e Luisa Palomane (versão dublada)

A nova animação da Dreamworks foi uma enorme surpresa pra mim. Sem maiores estardalhaços ou grandes expectativas, o estúdio que produziu o enorme sucesso Shrek não precisou dar nenhuma carteirada pra estimular o público, bastando as críticas extremamente positivas e o enorme boca a boca para dar maior visibilidade ao longa que estreou neste final de semana.

Claro que os cartazes alardeavam a produção do estúdio, mas nada comparado às mega campanhas que estamos acostumados a ver com qualquer longa animado hoje em dia. O que mais me despertou interesse desde o início foi saber que a obra era dirigida por Chirs Sanders e Dean DeBlois, mesma dupla do criativo Lilo & Stitch (2002) da Disney. Mas, como as animações em computação gráfica já começaram a render longas superestimados e dispensáveis, achei melhor me manter neutro. Talvez a expectativa maior tenha sido da própria Dreamworks, que considerou a arrecadação do fim de semana de estréia abaixo do esperado. Mesmo assim, o filme faturou cerca de 43 milhões só nos EUA, desbancando outras produções do topo da lista.

Deixando as cifras de lado, o longa é sim, muito bom. A produção é caprichada e, como já é normal, consegue agradar – e respeitar, principalmente – às várias faixas etárias que se dispuserem a assistí-la.

Na história, o jovem viking Soluço (Jay Baruchel no original) é tímido, desengonçado, inseguro e não muito certo de conseguir o respeito dos moradores de seu pequeno vilarejo – encravado nas rochas geladas do norte da Europa. Mesmo sendo filho do líder local, Stoico – O Grande – (Gerard Butler no original), o garoto franzino simplesmente não se encaixa na maneira de pensar e agir de seu povo, uma tribo de corpulentos e valentes matadores de dragões. Sim, os dragões estão lá rondando os céus, roubando ovelhas e queimando alguns telhados… Mas a “tragédia” maior é mesmo a de Soluço, que é motivo de piada por não suportar nem mesmo o peso de um machado de combate.

A situação do garoto obviamente muda quando, num – literalmente – golpe de sorte, Soluço conhece Banguela, um simpático espécime da raça mais temida dos monstros alados – a Fúria da Noite. O jovem precisava abater um dragão para ganhar status entre os guerreiros que tanto caçoavam dele, mas, como era de se esperar, segue-se uma relação de amizade a ser ameaçada pelo preconceito e  falta de compreensão das diferenças. E é justamente sobre isso de que se trata o filme: a superação dessas diferenças em virtude da convivência e do bem comum.

Esse mote é devidamente costurado e apresentado com todos aqueles estereótipos comuns à formação de um herói. Estão lá o pai que não acredita no talento do filho, os amigos que pegam no pé, o tutor bondoso que passa lições de coragem e confiança, o interesse romântico que parece ter tudo para dar errado, o ser que se mostra como ameaça apenas por conta do medo e da ignorância, e claro, o eterno dilema entre a tentativa de agir diferente de nossa natureza e a aceitação do que somos de verdade. Tudo isso já foi revisto e reapresentado em séculos de entretenimento, mas ainda assim funciona. E por que?

Primeiro por que está tudo no seu devido lugar, na hora certa, sem exageros. O viking Stoico é apenas mais um pai que não acredita nos devaneios de seu filho adolescente, o hilário Bocão é o mestre boa-praça que procura passar mensagens de otimismo sem ser dramático demais, Astrid (America Ferrera) é apenas uma garota que se julga boa demais para um perdedor como Soluço, e Banguela é aquele companheiro que mesmo no silêncio entende o que se passa na alma do herói e, acima de tudo, se identifica com ele. Tudo é apresentado sem maneirismos, sem – muitas – frases de efeito. Claro que elas estão lá, entre uma e outra piada pronta, afinal ainda temos crianças na sala de exibição, e a repetição das mesmas frases em momentos diferentes enfatizam a mudança vivida pelo protagonista. Nessas horas de repetição e insistência em provocar alguns sorrisos amarelos, é que nos lembramos de que se trata de um “desenho”.

E segundo, por que todos esses modelos citados fazem parte de como lidamos com as dificuldades e com o crescimento. A jornada que transforma um indivíduo comum em alguém extraordinário é sempre permeada pelos mesmos elementos, pelo mesmo processo de amadurecimento e pela interação com indivíduos-chave que ajudarão neste desenvolvimento.

Fora o aproveitamento destes conceitos, Como Treinar Seu Dragão acerta também no quesito visual. Arrisco dizer que  a produção tem algumas das mais belas cenas que já vi em uma animação. É fascinante ver a textura das escamas do dragão Banguela, assim como dos trajes, barbas e cabelos dos vikings. A iluminação e a fotografia das cenas de vôo são impressionantes, nos mostrando que o longa poderia sim ser classificado simplesmente como Aventura ao invés do rótulo automático de Animação. São perseguições, combates e vôos panorâmicos que mostram o poder dos renderizadores da Dreamworks. Complementando tudo isso, a trilha sonora calcada no lirismo e nos temas de fantasia medieval termina de embalar o filme com precisão.

O roteiro está lá, sem muitas inovações, mas a construção da relação entre os personagens e seu universo foi competente. Ponto também para a direção de arte que acertou no traço caricato dos personagens humanos e nas características próprias de cada raça de dragão. A Dreamworks então está de parabéns, ainda mais por nos apresentar uma última pequena surpresa que torna o final um tanto quanto surpreedente.

Nota: 9/10

Cena do Crime recomenda!

5 Responses to Crítica: Como Treinar Seu Dragão

  1. Marcelo disse:

    Estou indo assisitir no 3D aqui em Natal/RN hoje às 18:40h com as minhas filhas gêmeas, quando chegar vou postar o meu comentário.

  2. Carol disse:

    Eu odeio filmes muito alardeados… eu tendo a não gostar muito…
    Esse filme teve uma divulgação mais discreta e eu amei!!!
    Não entendo muito dessa parte visual, mas eu achei tudo muito bem feito… e realmente percebi muitos desses detalhes…
    Só fiquei triste por não ter visto em 3D, deve ficar ainda melhor!!!

  3. Marcelo disse:

    Olá assisti ontem com as minhas filhas, em 3D, muito bom, o filme é de uma riqueza de detalhes, animação perfeita, os cenários, as florestas, os dragões tudo muito bem feito.Esse tipo de animação, os autores mostram que podem fazer qualquer história por exemplo: A Lenda de Zelda dos games, uma outra coisa, os filmes assim são basicamente feitos para assistir em 3D, quase tudo leva a uma cena de efeito 3D,você praticamnete voa com o dragão, pena que só vou ver as cena quando sair em DVD. No filme uma coisa para quem gosta de herois é que mencionam muito o Thor e Odin, são os deuses dos vikings.
    Para dizer a verdade essa foi a segunda vez que assisto 3D, a primeira foi no filme Pesadelo Final: A Morte de Freddy em 1991, com óculos de papel, e no meio do filme só 15 minutos de cena, o menino entra na casa Freddy Krueger, e na hora ele coloca o óculos para ver a casa em 3D, isso é a deixa para o público colocar os óculos, foi divertido, mas não se compara com o cinema atual. Valeu, recomendo o filme.

  4. Pyro disse:

    Eu vi o Trailer quando fui assistir Avatar…
    axei intereçante, mas axo que vou assistir spo depois…

  5. dyego disse:

    Não boto muita fé nesse filme não, talves mude de opnião de pois de assisti !!!

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