Resenha: 100 Balas – Laços de Sangue

O Cena do Crime dá as boas-vindas ao primeiro colaborador, nosso amigo Silvio César!

Histórias de crime sempre foram um tema recorrente na cultura pop. É uma tradição, tão sedimentada como ficção científica, terror e fantasia. Nos quadrinhos, uma mídia que reflete como nenhuma outra essa multifacetada característica da cultura mundial, isso não poderia ser diferente, sendo as histórias de crime um prato cheio para talentosos artistas e desenhistas.

100 Balas, quadrinho que surgiu em 1999, pelo selo Vertigo da editora DC Comics, segue essa tradição e vai mais além, apresentando arcos de histórias que parecem, à primeira vista, sem relação umas com as outras mas que, no decorrer das edições, vão se revelando uma trama complexa, cheia de reviravoltas.

A obra teve uma passagem conturbada no Brasil. Algumas editoras tentaram publicá-la (Opera Graphica e Pixel Media, respectivamente) mas nunca concluíram as 100 edições – sim, o número é esse mesmo – que foram publicadas nos EUA entre 1999 e 2009. A Panini Comics pegou essa tarefa para si e começou a publicar a partir do nº15 da edição americana, o arco “Laços de Sangue”.

Na história conhecemos Loop, filho de Curtis Hughes, antigo trapaceiro que busca vingança contra o pai por ter abandonado sua mãe na miséria. O Agente Graves, personagem recorrente nas edições, presenteia -o com uma maleta contendo uma pistola e 100 balas impossíveis de serem rastreadas – um prato feito para quem busca o crime hitchcockqueano perfeito. Mas nada é tão simples assim em 100 Balas e Loop vai sentir na pele que se meter no mundo do seu pai e do Agente Graves é um jogo muito perigoso.

De autoria do escritor Brian Azzarello e do artista argentino Eduardo Risso, “Laços de Sangue” foi vencedora do prêmio Eisner – uma espécie de Oscar das HQs – como Melhor Arco de História, o que merecidamente acabou por coroar essa parceria. A trama de Azzarello é bem construída e os desenhos de Risso são primorosos. Sua construção de cena, narrativa, luz e sombra lembram muito o clássico The Spirit, do próprio Will Eisner,  monstro dos quadrinhos que nomeia a premiação.

O único defeito é que, para os leitores não versados na trama de 100 Balas, fica complicado aproveitar todas a nuanças da história, e mesmo reconhecer alguns personagens que apareceram antes, como o próprio Agente Graves e Lono. Para quem já conhece tudo, vai encontrar divertimento como só as melhores histórias pulps podem oferecer. A edição da Panini pode ser encontrada nas bancas e gibitecas, tem 132 páginas , custa R$ 16,90 e reúne os números #16 à #19 da cronologia original de 100 Bullets.

Silvio César escreve também em:
www.tapiocaria.blogspot.com

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