Lewis Carroll – Parte 1

Alice estava muito entendiada, sentada no jardim, ouvindo a leitura de sua irmã. Então ela vê um coelho branco correndo, bastante apressado, dizendo pra si mesmo “Oh puxa! Oh puxa! Eu devo estar muito atrasado!”

A situação atiça sua curiosidade. Ela o segue, cai em sua toca e vai parar em um lugar completamente fora da realidade – ao menos a realidade da Inglaterra na segunda metade do século 19. Alice descobre Wonderland, ou o País das Maravilhas. Um lugar onde não há lógica, e as regras são tão distorcidas que é mais fácil não segui-las. Mas qual a explicação pra existência desse lugar? Por que se parece tanto com pesadelos e alucinações?

A origem do País das Maravilhas não poderia ser explicada pelo Gato de Chesire, pelo Chapeleiro, pela Rainha de Copas ou por nenhum outro estranho habitante desse mundo fantástico.

Ele surgiu da cabeça do matemático, fotógrafo e escritor Charles Lutwidge Dodgson, ou Lewis Carroll, caso você prefira. Sim, ele era estranho. E sim, ele tinha um gosto peculiar por crianças… Garotinhas, pra ser um pouco mais exato.

O texto ficou um pouco grande, por isso será divido em 2 partes.

Carroll nasceu em 1832 no condado de Chesire, em Daresbury – Inglaterra. Filho de um casal conservador e religioso – Frances Jane Lutwidge e o reverendo Charles Dodgson -, foi o terceiro de onze filhos. Sua infância foi marcada por várias doenças, como era bastante comum naquela época, e em uma delas – não obtive mais informações a respeito – acabou ficando surdo de um ouvido. Também sofria de gagueira e era bastante tímido.

Acostumado a cuidar de oito irmãs e irmãos mais novos, Carroll logo descobriu uma afinidade grande com a criançada, principalmente porque era muito bom em criar jogos e brincadeiras. Essa afinidade o acompanharia na vida adulta, quando tentava se manter rodeado pelos filhos de amigos e conhecidos.

Teve seu pai como tutor no ensino básico, e foi enviado à escola apenas com 12 anos. Apesar de uma certa “inadequação social”, o escritor sempre foi considerado brilhante nos estudos, e ainda jovem seus talentos no raciocínio lógico e na matemática se destacavam. Também obteve bastante instrução religiosa e chegaria a ser ordenado Diácono na igreja anos mais tarde.

Aos 19 anos, Carroll ingressou na universidade de Oxford, para cursar matemática, e apenas um ano depois, ganhou um título de First in Honour Moderations, espécie de reconhecimento pelo êxito nos créditos obtidos, e foi contemplado com uma bolsa de estudos.

Apesar dessa genialidade aparente, Carroll não se sentia completamente satisfeito em se dedicar inteiramente à matemática. Aliás, pesquisadores e biógrafos afirmam que ele nem se dedicava tanto, e que seus resultados eram mais frutos de um talento nato do que de estudo árduo. Fracassou ao tentar outra bolsa um tempo depois e atribuiu isto à uma falta de capacidade – ou vontade –  de se aplicar inteiramente aos estudos.

Já nessa época, Lewis apreciava escrever contos e poesias, chegando a ter alguns de seus trabalhos publicados em periódicos nacionais. Não se sabe com certeza se ele já se utilizava do pseudônimo com o qual se tornaria conhecido. Após concluir o curso na faculdade, Carroll passou a integrar seu corpo docente, lecionando por 26 anos.

Em 1856 um novo reitor foi nomeado: Henry George Liddell, que era também diretor da Christ Church, curso constituinte da universidade Oxford. Ora, Carroll, filho de um reverendo e estudioso de religião, estabeleceu laços de amizade com Liddell, que logo se estenderam à sua família. No dia 25 de abril do mesmo ano, ele conheceu as três filhas e o filho do reitor. Dentre as meninas estava a pequena Alice, que não chegara aos quatro anos. Sobre a ocasião, Carroll escreveu em seu diário:

“Este foi um dia para não mais esquecer.”

As irmãs Liddell – Edith, Lorina e Alice. Clique para ampliar

No tempo que se seguiu, o escritor intensificou sua relação com a família Liddell, e principalmente com suas filhas. Carroll passeava com as garotas e lhes contava histórias. Isso era atribuído ao simples fato do rapaz, então com 24 anos, gostar imensamente de crianças. Um carinha divertido, esse Lewis Carroll, não? Aposto que era isso que George Liddel e os outros adultos da época pensavam.

Em 4 de julho de 1862, data que os biógrafos dizem constar em seu diário, Alice Liddell e suas irmãs passeavam de barco pelo rio Tâmisa com Carroll e seu amigo Robinson Duckworth – também professor -, quando o escritor iniciou os contos que tinham a garotinha como personagem principal. Alice, então com 10 anos, gostou tanto das histórias que insistiu para que ele as escrevesse.  Carroll então acrescentou mais alguns detalhes e situações à trama. No natal daquele ano, o escritor a presenteou com o encadernado manuscrito e ilustrado por ele próprio, intitulado As Aventuras de Alice no Mundo Subterrâneo. Numa visita à família Liddel, o escrito Henry Kingsley gostou tanto da obra que pediu para que Carrol fosse convencido a publicar a história.

Capa e páginas do manuscrito original – Ilustrações pelo próprio Carroll

Lewis se aconselhou com um amigo, fez mais algumas mudanças na trama, contratou um ilustrador, e em 1865 foi lançada a primeira edição de Alice no País das Maravilhas, com os clássicos desenhos de Sir John Tenniel. Esta edição Charles Lutwidge Dodgson assinou oficialmente com seu célebre pseudônimo.

Leia a continuação amanhã!

Referências:

Uma Patografia de Lewis Carroll, autor de Alice no País das Maravilhas
Biografia de Lewis Carroll


2 Responses to Lewis Carroll – Parte 1

  1. Carol disse:

    Por enquanto, essa biografia está muito tranquila… hehehe

  2. Sr Figueiredo disse:

    eh Lewis não era definitivamente um boêmio!
    hehehehhe

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