Resenha: Loveless, terra sem lei

Quando os italianos quiseram dar sua versão para uma instituição americana eles criaram um estilo que, até então, era uma exclusividade dos EUA. O Western era o gênero definitivo americano, como, em analogia, os filmes que exploravam a temática nordestina no Brasil – ou estética de pobre, sendo um pouco mais ácido. A visão italiana, diferente do  original, era mais suja, mais podre, mais cruel que o original. Sai John Wayne e entra Clint Eastwood. O mocinho tinha um caráter duvidoso agora. Era mal. Era sujo. Essa visão revolucionária influenciou milhares de cineastas americanos que seguiram mais ou menos essa estética – por que não dizer que até mesmo George Lucas trouxe um pouco disso para Star Wars, não é mesmo? Nos quadrinhos a estética italiana não passou despercebida. Em 2005, o selo Vertigo, da DC Comics, publicava a série Loveless, de Brian Azzarello e Marcelo Frusin. Balas e entrigas mais uma vez de volta às HQs.
Loveless conta a história de Wes Cutter, um ex-combatente da Guerra Civil Americana, conflito armado que dividiu os Estados Unidos em duas frentes, a Nortista e a Sulista, essa última queria a independência da União. Foi um conflito terrível. Milhares de mortos e mutilados e um Sul arrasado, sendo pilhado pelos vencedores nortistas. Wes Cutter pertencia ao lado perdedor.  Aliado com sua esposa, a misteriosa e sexy Ruth, eles agem como Bonnie e Clyde do oeste, sobrevivendo em meio à loucura pós-guerra, combatentes derrotados que não aceitam a derrota e perseguidores da comunidade negra, recém liberta da escravidão. Um cenário que definiria os EUA nos século seguintes.
O roteiro de Azzarello, escritor já comentado antes nesse blog, é uma aula de como contar uma história usando flashbacks mas sem quebrar o ritmo da trama. Os flashbacks são aliados e ajudam a tecer o background necessário para o entendimento das intenções dos personagens. Mas é nesse ponto que Loveless fica interessante. As lembranças se misturam a ação atual, como fantasmas do passado que pertubam o presente. É o local, a cidade de Blackwater, que é o grande vetor das memórias. Genial!
O desenho do argentino Marcelo Frusin são corretos, crus na medida certa. A postura dos personagens foi estudada com afinco e até mesmo a maneira como portam as armas parecem que foram tiradas dos filmes. Maravilhoso.
O único ponto negativo é que a edição publicada no Brasil pela Editora Panini reúne os números 1 a 5 da série e, quando chegamos ao final dela, fica a sensação de uma história inacabada. Fica a esperança que saia mais encardernados no futuro.
Loveless tem 132 páginas e custa apenas R$ 16,90. Embarque nessa jornada rumo ao inferno onde o amor pode destruir o mundo.

Sobre Silvio César
Publicitário e estudioso dos rumos da comunicação no mundo.

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