Resenha: Capitão América: A Escolha

O Capitão América é um personagem interessante. Steve Rogers, um rapaz franzinho, ilustrador comercial, que desejava ajudar os Estados Unidos na crescente campanha americana na Segunda Guerra Mundial, foi escolhido para servir de cobaia em um experimento que pretendia desenvolver super-soldados americanos. Devido a uma série de fatores, Steve Rogers foi o único que conseguiu se tornar um super-soldado e teve participação atuante no conflito. Congelado devido a um acidente que aparentemente custou a vida de seu companheiro de combate, Buck Barnes, quase no final da guerra, foi encontrado a deriva no oceano e  revivido a em plenos anos 60. Ele representa, acima de qualquer tentativa canhesta de enquadrá-lo como modelo do imperialismo americano – embora a sua contraparte na série Os Supremos esteja mais próxima dessa definição – o Capitão América representa a vontade de um povo. Ele é o símbolo daquilo que os Estados Unidos poderia ser. Ele acredita em ideais como liberdade, justiça e direitos humanos. Acredita piamente nisso. E é justamente por isso que ele é um personagem tão fascinante. Ele representa o contrasenso em pessoa. O maior inimigo do Capitão América são os Estados Unidos.

Para quem acompanha o Universo Marvel regular, a morte do Capitão América foi um marco das HQs mundiais. Algemado, desacreditado e ferido, Steve Rogers foi baleado e morto na escadaria do tribunal que iria condená-lo por ele ter lutado contra a Lei de Registro de Super-Heróis, decreto que iria revelar ao mundo a indentidade secreta de todos os heróis que atuam na América. O Capitão defendeu o direito do cidadão de ter sua privacidade e liberdade, mesmo usando o vigilantismo para proteger as pessoas. E pagou com a vida por isso.

O segundo volume de uma série de encadernados de luxo que a Panini publica no Brasil, Capitão América: a escolha foi escrito por David Morrell, escritor do livro First Blood, onde surgiu pela primeira vez o personagem Rambo; e desenhado pelo talentoso Mitch Breitweiser. Na obra vemos um Capitão América doente, vítima do mesmo soro do super-soldado que deu seus poderes e, mesmo acamado, ainda lutar para ajudar as pessoas.

A narrativa da luta do Capitão pela vida é entrecortada pela história do cabo James Newman, soldado alocado no Afeganistão que se vê no meio da loucura da guerra e tem visões do Capitão América que aparece para ele para encorajá-lo a continuar acreditando em si mesmo, a buscar forças para sobreviver e ajudar seus companheiros de combate.

Esse artifício usado por Morrell talvez seja a parte mais fraca da edição. Sabendo que seus dias de herói estavam chegando ao fim, o Capitão América desenvolve uma estranha habilidade psíquica chamada visão remota, que o permite projetar sua percepção para outros lugares por mais distantes que sejam. Essa inédita habilidade jamais foi explorada nos quadrinhos, por isso do estranhamento para que já conhece o personagem. Mas esse artifício ajuda no que o autor pretende fazer com a trama.

James Newman, a princípio, pensa estar tendo alucinações devido ao stress, sede e calor da região. Mas aos poucos começa a compreender que o Capitão América deseja realmente com ele é torná-lo um substituto. Não alguém que carregue seu escudo e uniforme, mas alguém que acredite nos mesmos ideais e nunca desista de fazer o bem.

O Capitão América é, acima de tudo, uma inspiração para o ser humano. Seja americano, brasileiro, afegão. Ele busca em cada um de nós a chama que faz a humanidade ser capaz de feitos inimagináveis, mesmo carregando um peso de milhares de ações terríveis. O Capitão América não quer apenas um substituto. Ele quer que TODOS nós o sejam.

Capitão América: a escolha é uma edição da Panini, tem 144 páginas e vem com capa dura, a segunda parte de seis do poster gigante dos super-heróis Marvel, e custa um preço convidativo de R$ 22,90

Sobre Silvio César
Publicitário e estudioso dos rumos da comunicação no mundo.

4 Responses to Resenha: Capitão América: A Escolha

  1. Mesfat disse:

    Belo post Silvio. Embora não seja um fã, assim tão apaixonado, acredito que o Capitão América tem lá o seu lugar e valor. Continuo achando que o Azulão (Superman) ainda é inSUPERável, pois não somente tem os EUA como o seu maior inimigo, junto com o resto do planeta, como uma leva de inimigos vindos de planetas, galáxias, mundos pararelos, etc… e, como sempre, está lá por nós.
    Vida longa ao rei!!!!
    He’s coming…
    You see…

  2. Marcelo disse:

    Eu sempre gostei das bandeiras dos EUA, sou babão do Captain America e do Superman, acho até que eles levam um peso muito grande nas costas, são líderes máximos, duas histórias que mostram isso é Kingdom Come e Earth x, todos os principais conflitos, estão eles lá segurando as pontas, tenho saudades daquelas revistas Almanarque do Capitão América.
    O filme não vai nem chegar perto do brilho desses HQs.

  3. Não gosto do Capitão América, da Marvel gostos mais dos heróis criados pelo Stan Lee.

  4. Stone age disse:

    Super post do Silvio! Muito bom, nos faz refletir o que realmente representamos ou precisamos representar para nossa nação.

    O engraçado foi ler esse artigo falando da Guerra Civil e vendo a foto de Tony Stark ali ao lado, ele que é o principal opositor do america, que no caso é a favor do anonimato heróico.

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