Atenção Todas as Unidades! #2: Skinheads – A Força Branca

Segunda-Feira agora é dia de Atenção Todas as Unidades! Sempre com alguma dica de entretenimento pra vocês, meliantes!

Então, seguindo a sugestão por e-mail de Pedro Leme o ATU de hoje é sobre o longa Skinheads – A Força Branca, ou no original, Romper Stomper.

Romper Stomper, 1992, Austrália. Drama Com Bastante Violência.

Direção: Geoffrey Wright.
Com: Russell Crowe, Daniel Pollock, Jacqueline McKenzie

Duração: 92 min.

Sempre gostei bastante de ler a respeito de movimentos ideológicos extremistas, e a ascensão do nazismo e do posterior neo-nazismo são, disparados, os que geram mais material a respeito. O assunto é polêmico, é verdade, mas interessa muita gente. Acho que nos perguntamos como podem algumas mentes pensarem tão diferente da coletividade e das idéias pós-segunda guerra, que concordam que a xenofobia, discriminação e violência sempre mancharam de sangue e vergonha a história do homem e não foram responsáveis por nada de bom.

A falta de perspectivas, oportunidades ou formação moral que aflige os jovens nos centros urbanos desde a segunda metade do século XX, e que por conta  disso agrupam-se em torno destas filosofias radicais e formam gangues é um problema sério em algumas partes do mundo. Brasil incluído.

Reconheceu o rostinho singelo ali no cartaz? Sim, é ele mesmo, Russell “Gladiador” Crowe, ainda não tão famoso. Neste longa ele interpreta Hando, o líder de uma gangue de arruaceiros neo-nazistas de Melbourne, na Austrália, que estão bastante insatisfeitos com a presença expressiva de imigrantes no bairro. O filme já começa com Hando e seus comparsas dando uma surra em alguns jovens asiáticos num túnel subterrâneo. O problema é que os jovens não estão sozinhos, e decidem contra-atacar chamando milhões de parentes que invadem o refúgio dos skinheads. A cena da luta entre os grupos é bastante violenta – e empolgante – e revela um cotidiano comum em muitas cidades onde a xenofobia alcança níveis inacreditáveis.

Se a história se passasse no Reino Unido, Hando e companhia poderiam muito bem ser Hooligans, se fosse no Brasil, seriam como muitos grupos de carecas do subúrbio que se utilizam de pseudo-ideologias para justificar agressões e vandalismo. Se fosse ainda no universo de Stanley Kubrick, Hando seria Alex e seus droogs. A abordagem da juventude violenta e “organizada”, por assim dizer, é bastante ampla.

Em seu lançamento o filme foi acusado de inocentar e humanizar os skinheads neo-nazistas, o que absolutamente não é verdade. Somos expostos a um cotidiano sórdido, repleto de personagens marginais e, de certa forma, dignos de pena. O vazio moral e existencial dos jovens é saciado com destruição, preconceito e ódio direcionado a inocentes. Para justificar o comportamento, alguns empunham livros com discursos extremistas e tem na ponta da língua argumentos batidos de superioridade, outros ostentam bandeiras com a temática nazista e símbolos bélicos, outros não se apegam a nada e só estão lá pelo caos – como é o caso do garoto Bubs, o membro mais jovem da gangue.

Fora o embate com os asiáticos, os skinheads enfrentam problemas internos e o grupo começa a desmoronar, expondo algumas fraquezas dos integrantes. A perseguição policial torna as coisas mais difíceis ainda, e o ápice da crise vem com um triângulo amoroso – sim, é possível – que destrói de vez a confiança dos jovens. Fora o preconceito e a violência, o filme também aborda levemente o tema do abuso e do incesto, e das consequências drásticas que isso pode causar em pessoas sem estrutura e que são facilmente recrutadas para causas erradas. Isso complementa o hall de polêmicas.

Não é uma obra-prima, é verdade. Também não fica marcado ao lado de filmes que retratam juventudes perdidas como Trainspotting (1996) ou o próprio Laranja Mecânica (1971), o que desmente o subtítulo You’ve Never Seen Anything Like It (Você nunca viu algo como isto). Skinheads – A Força Branca É apenas um retrato dos submundos e de jovens delinquentes que se escondem atrás de falsas ideologias.

Pois bem, assista. Seja por que você goste do tema, ou apenas do Russell Crowe – que está bastante competente na interpretação de um cara odioso -, ou está atrás de um filme intenso que tenta fazer uma breve análise das causas da violência na sociedade. Ou ainda porque, sei lá, só quer ver porrada mesmo.



10 Responses to Atenção Todas as Unidades! #2: Skinheads – A Força Branca

  1. Krash disse:

    Por algum motivo este post deveria ter aparecido ontem.

  2. Rafael disse:

    Apesar de eu ser completamente contra o nazismo esse filme é muito bom… outro bom é American History X (A Outra História Americana)

  3. Elder disse:

    Nazi Punks Fuck Off – Dead Kennedys

    Esse post me fez lembrar essa musica..rs! Não assisti esse filme mas com certeza vou procurar saber.

    Sobre o “A outra historia americana” é um filme fantastico, ver skinheads se fuderem, pra mim, é um deleite!rs

    Muito bom o seu post! Congratulações…

    • Krash disse:

      Opa, obrigado! “A Outra História Americana” com certeza será indicado por aqui. Não deixem de conferir o blog!

  4. ísis. disse:

    Bom, acho que vocês deveriam postar no blog filmes sobre skinheads como o “This is England” e o documentário “Skinhead Attitude” que não só falam dos skinheads neo-nazistas, mas que contam sobre as raízes do movimento skinhead, e sobre os Trad Skinhead (os Skinheads Tradicionais, como são chamados) que não tem nada a ver com o racismo ou coisas do gênero, até entre os grupos de Trad Skinheads existem movimentos como o SHARP (Skinheads Against Racial Prejudice – SkinHeads contra o preconceito Racial). Se pesquisarem mais a fundo vão ver que o movimento nasceu na Jamaica, em meados dos anos 60 com a união dos Rude Boys jamaicanos com o proletariado ingles.

    Como já disse Ruddy Moreno, vocalista do The Oppressed – banda Oi! Skinhead :

    “Nenhum dos Verdadeiros Skinheads podem ser racistas, pois sem a cultura jamaicana os skinheads nunca existiriam”

    Vocês também podem ler a letra “Skinhead Times” do The Oppressed , que fala justamente sobre as raízes do movimento🙂

    Desculpa me alongar demais no comentário, mas é que tento passar a verdadeira história sempre que posso, pra que cada vez menos gente fique com a mente alienada com o que a mídia passa

    Obrigada desde já, Ísis

    • Krash disse:

      Também me interesso bastante sobre o assunto, Ísis! Já li bastante sobre as origens do movimento, sobre os SHARP, RASH, Rude Boys originais, OI e etc…
      Acho bastante válida a sua iniciativa de tentar desmistificar o assunto, e vamos sim postar algo sobre os filmes que você indicou.
      Obrigado pelo comentário!

      • Aztorn disse:

        O que você disse é certo. Infelizmente há muitos idiotas no mundo pra promover a discordia e violencia. O racismo e a xenofobia é algo que mostra isso. Acredite o “mix” de “raças” é a evolução da humanidade.

  5. @samuversalii disse:

    muito bom o post!

  6. Tassio Felipe disse:

    Isis, acho muito massa quando alguém se coloca e propõe a desmistificação. Ainda bem que sempre tem alguém para levar isso em consideração.

    Para saber mais sobre o movimento que nasceu na jamaica é só ir atrás de Laurel Aitken.

    Skinhead – black and white.

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